segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Novos desafios para os Sistemas Educativos

Na actualidade, os Sistemas Educativos, estão a ser submetidos a várias solicitações, tais como  o respeito pela diversidade dos indivíduos e a necessidade de aplicar regras comuns que permitam o desenvolvimento da sociedade. O crescimento económico dos últimos anos não foi acompanhado pelo desenvolvimento humano, o que gera desigualdades e ritmos de progressão diferentes nos vários países.
A educação tem o papel, fundamental, no desenvolvimento de uma sociedade ao dotar os indivíduos de ferramentas que permitam controlar o desenvolvimento humano. A Escola Básica para todos, proporciona a participação dos indivíduos na evolução da sociedade tendo em atenção as circunstâncias locais para que não hajam desajustamentos com a realidade. O investimento na educação terá de ser superior nos países menos desenvolvidos para que a partilha de conhecimentos e competências não seja desigual entre os países mais e os menos desenvolvidos.
Estamos perante uma globalização e a missão de reprodução de uma cultura e de uma força de trabalho nacionais por parte dos Sistemas Educativos deixa de fazer sentido. As políticas e práticas da educação são subordinadas aos imperativos da racionalidade económica envolvente, às exigências da produtividade, competitividade e empregabilidade. Há a necessidade de preparar os indivíduos para o mercado de trabalho, cada dia mais exigente, tornando-os empregáveis, flexíveis, adaptáveis e competitivos.
A Sociedade do Conhecimento, exige competências intelectuais e cognitivas. Assim, há a necessidade de preparar os indivíduos para o progresso tecnológico, com competências de evolução e adaptação para uma sociedade em constante mudança.
Em 2002, a comissão Europeia, na Estratégia de Lisboa, produziu um documento estratégico com a finalidade de transformar a economia europeia na “mais competitiva e moderna do mundo”. Nesse documento, “Educação e Formação na Europa: sistemas diferentes, objectivos comuns para 2010”, aparecem as competências necessárias para um novo mercado de trabalho do espaço económico alargado. Surgem áreas prioritárias como o aperfeiçoamento da formação de professores, criação de novos ambientes de aprendizagem e optimização dos recursos.
Mais tarde, no Conselho “Educação e Formação 2010”, os vários intervenientes, realçam a importância de transformar os sistemas de ensino e formação na Europa numa referência mundial de qualidade. Neste sentido o investimento na educação e formação é primordial, pois estas são indispensáveis para a competitividade, o crescimento sustentável e o emprego na EU.

Este Conselho identifica três áreas prioritárias: concentrar as reformas e os investimentos nas áreas fulcrais para a sociedade, baseadas no conhecimento. Implica um maior e eficiente investimento nos recursos humanos, no sector público, nas áreas de educação e no sector privado, nomeadamente no ensino superior, formação de adultos e formação profissional continua; fazer da aprendizagem ao longo da vida uma realidade concreta. Será necessário promover parcerias entre as empresas, parceiros sociais e as instituições de ensino e criar ambientes de aprendizagem abertos, atraentes e acessíveis a todos; e construir uma Europa de Educação e Formação. O objectivo é desenvolver um quadro Europeu, baseado nos quadros nacionais, que sirva de reconhecimento das qualificações e competências. Isto consegue-se através do reconhecimento de diplomas e certidões, remoção de obstáculos à mobilidade e dos apoios financeiros.


Bibliografia
Benedito,N.D.S (2007), Centralização de Sistemas Educativos e Autonomia dos Actores Organizacionais.  Processos coletivos de interpretação das orientações centrais.
Carneiro, R. (1994, julho). A dinâmica de evolução dos sistemas educativos: um ensaio de interpretação institucional. In Fraústo da Silva, J. J. R. (Dir.). Colóquio Educação e Sociedade (Vol 6, pp. 13-60. Lisboa: Gulbenkian)
Delors, Jacques et al. (1999) Educação – um tesouro a descobrir, Porto - ASA.
Gaspar, M. I. (1996) Princípios Orientadores e Objectivos do Ensino Secundário em Portugal
(policopiado).
Lagarto, J. (ed.). (2007). Na Rota da Sociedade do Conhecimento: As TIC na Escola. Lisboa: Universidade Católica Editora.
 Monteiro, A., Moreira, J. A., Almeida, A. C. & Lencastre, J.A.  (Orgs.) (2012). Blended learning em Contexto Educativo: Perspectivas Teóricas e Práticas de Investigação. Santo Tirso: Defacto Editores.

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